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Nove passos para uma cérero mais inteligente
 

É possível expandir as capacidades mentais. Com a ajuda das neurociências podemos tirar proveito dos recursos neurológicos e ter uma vida saudável, raciocínio ágil e boa memória por mais tempo. Pesquisas recentes indicam que a maneira como direcionamos pensamentos, hábitos alimentares e de lazer, entre outros comportamentos, nos permite melhor aproveitamento do potencial das células cerebrais. Como as capacidades não costumam ser prejudicadas em sua totalidade, temos a possibilidade de “exercitar” mais determinadas regiões e funções neurológicas. Nos últimos anos, estudos realizados com técnicas de imageamento revelaram a existência da plasticidade neural: no transcorrer do tempo, redes de neurônios podem ser reestruturadas e, com isso, são ativadas outras áreas do cérebro até então menos ativadas. E, felizmente, temos a possibilidade de colaborar para ampliar o alcance desses processos.

1 – ALIMENTO PARA PENSAR MELHOR
Refrigerantes no café da manhã podem prejudicar a capacidade cognitiva

O que comemos pode influir na maneira como raciocinamos? Pesquisas mostram que sim, já que o cérebro é o órgão mais exigente do corpo – e tem algumas necessidades dietéticas específicas. Não é de estranhar, portanto, que mantê-lo adequadamente alimentado favoreça mecanismos cognitivos e mnemônicos. Uma providência que pode contribuir, logo cedo, para a acuidade das funções cognitivas é tomar café da manhã. Estudos revelam que deixar de lado a primeira refeição do dia reduz o desempenho intelectual.Pesquisa desenvolvida pela nutricionista Bárbara Stewart-Knox, professora da Universidade de Ulster, Reino Unido, publicada em 2003, mostrou que crianças que tomam o café da manhã com bebidas gasosas e petiscos açucarados tiveram desempenho similar ao de pessoas com 70 anos em testes de memória e atenção. Segundo a pesquisadora, a ingestão de torradas aumentou as pontuações das crianças numa variedade de testes cognitivos, mas quando os exercícios ficaram mais complexos, os voluntários que tomaram o café da manhã com cereais com alto teor de proteínas obtiveram melhores resultados.

A despeito da polêmica que o consumo de ovos tem despertado, estudos recentes indicam que uma escolha inteligente para o almoço é omelete, feita praticamente sem gordura, acompanhada de salada. O ovo é rico em colina, substância usada pelo organismo para produziro neurotransmissor acetilcolina. Pesquisadores da Universidade de Boston constataram que, quando administrados em adultos jovens, o fármaco escopolamina, que bloqueia os receptores de acetilcolina no cérebro, reduz significativamente a capacidade de memorização de pares de palavras. Baixos níveis do neurotransmissor também estão associados à doença de Alzheimer; alguns estudos sugerem que o aumento da ingestão daquela substância na dieta pode diminuir o ritmo da perda de memória relacionada à idade.

Saladas são fundamentais, já que o cérebro produz grande quantidade de energia – e também muitos radicais livres. Por serem antioxidantes, as vitaminas C e E atuam como neuroprotetores. A vitamina B12 e o ácido fólico melhoram a memória. A ingestão de verduras e legumes crus ricos em vitaminas e betacarotenos ajuda a manter os neurônios em bom estado.

Recentemente, o biólogo Dwight Tapp e colegas da Universidade da Califórnia em Irvine comprovaram que uma dieta rica em antioxidantes melhorava as aptidões cognitivas de 39 beagles adultos – provando que é possível ensinar novos truques a um cão velho. Tudo leva a crer que também humanos se beneficiem de regimes alimentares que combatem o “enferrujamento” cerebral.

Para completar o almoço, um iogurte é boa opção. O alimento contém o aminoácido tirosina, necessário para a produção dos neurotransmissores dopamina e noradrenalina, entre outros. Estudos realizados pelas Forças Armadas americanas revelam que há redução dos estoques de tirosina quando estamos sob tensão e que a suplementação pode melhorar o estado de alerta e a cognição.

Para manter os níveis de glicose em alta, convém fazer um lanche no meio da tarde. Só tenha cuidado de evitar comidas calóricas com baixo valor nutritivo e, particularmente, guloseimas altamente processadas, como bolos, massas doces e salgadas e biscoitos, que contêm ácidos graxos trans. Elas não apenas provocam acúmulo de quilos. Há três anos, durante o congresso anual da Sociedade de Neurociência de San Diego, Califórnia, relataram que ratos e camundongos criados com junk food para roedores tiveram dificuldades de encontrar saída em labirintos e levaram mais tempo para lembrar soluções de problemas que já tinham resolvido. Quando esses animais receberam uma droga para reduzir os níveis de triglicérides, seu desempenho nas tarefas de memorização melhorou.

Cérebros são constituídos por cerca de 60% de lipídios; mas, se gorduras trans entupirem o sistema, o que é necessário para mantê-lo bem lubrificado? Acumulam-se as evidências a favor dos ácidos graxos ômega-3, em particular o ácido docosaexaenóico, ou DHA. Em outras palavras, nossas avós tinham razão: comer peixe faz bem. A substância não apenas alimenta e lubrifica sistemas cerebrais em desenvolviomento, como também parece ajudar a protelar a instalação de quadros de demência. Estudos publicados em 2004 revelam que camundongos mais velhos de uma linhagem geneticamente alterada para desenvolver a doença de Alzheimer tiveram 70% menos placas amilóides associadas à doença quando alimentados com dieta rica em DHA.

2 – EFEITO MOZART
Tocar instrumentos estimula coordenação motora fina, concentração e sensibilidade

Há um ano, a psicóloga Frances Rauscher, atualmente professora da Universidade de Wisconsin em Oshkosh, e seus colegas provocaram um alvorosso com a descoberta de que ouvir Mozart aprimorava o raciocínio matemático e espacial. Até os ratos percorriam os labirintos com maior rapidez e precisão depois de ouvir obras do compositor do que após serem submetidos a ruídos ou à música do minimalista Philip Glass. Ano passado, Rauscher relatou que, pelo menos para os ratos, uma sonata para piano de Mozart parece estimular a atividade especificamente em três genes envolvidos na sinalização de células cerebrais.

Mas antes de ir apanhar os CDs, um aviso: nem todos que procuraram pelo efeito Mozart conseguiram se beneficiar dele. Mesmo Rauscher considera que a música impulsiona o poder cerebral simplesmente por fazer os ouvintes se sentir melhor – relaxados e estimulados ao mesmo tempo – e que um estímulo comparável poderia levar a resultados similares.

Existe, contudo, uma maneira pela qual a música realmente pode favorecer o raciocínio e a capacidade lógica, mas exige um pouco mais de esforço que a simples seleção de algo melodioso no seu iPod: aprender a tocar instrumentos. Crianças de 6 anos que tiveram aulas de música, em vez de teatro ou nenhuma instrução extra, obtiveram um aumanto de 2 a 3 pontos nos escores de QI, em comparação com os demais. Rauscher também descobriu que, depois de dois anos de curso de música, meninos e meninas em idade pré-escolar obtiveram pontuações melhores em testes de raciocínio espacial que aquelas que tiveram aulas de computador.

O estímulo de uma variedade de aptidões mentais provavelmente se dá por causa da exigência de movimentos delicados e precisos dos dedos, do treino da coordenação motora fina, do desenvolvimento da atenção necessária para a altura do som e do ritmo, além da exigência de sensibilidade emocional. Porém, ainda não se sabe com certeza como ocorre esse processo. Nem está provado que os adultos consigam, com a prática, obter um impulso mental tão bom quanto as crianças. Mas, com certeza, não deve haver nenhum mal em tentar.

3 – DROGAS DA INTELIGÊNCIA
Medicamento em fase de teste ajuda pessoas a permanecer alertas por 90 horas

Por volta dos 40 anos, a maioria das pessoas já percebe mudanças em suas aptidões mentais. É o início de um declínio gradual que pode culminar em demência. Em muitos caso, porém, é possível reverter esse processo ou pelo menos diminuir seu ritmo. Alguns fármacos que poderiam fazer esse trabalho, conhecidos como “promotores ou estimulantes cognitivos”, já estão no mercado, e outras drogas com a mesma função devem surgir em breve.

O mais conhecido talvez seja o modafinil, atualmente em estudo pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), para liberação de venda no Brasil. Licenciado para tratar a narcolepsia, o medicamento apresenta efeitos notáveis também em pessoas sadias. Testes mostram que é capaz de manter o estado de vigília e alerta por 90 horas seguidas, sem que o consumidor apresente sintomas como irritação – como muitas vezes ocorre com anfetaminas e café.

Com a ajuda do modafinil, pessoas privadas de sono podem ter um desempenho até melhor que quando estão bem descansadas e sem medicamentos. Pesquisas feitas com militares americanos mostram que alguns conseguem permanecer acordados por 40 horas, dormir oito, em média, e então novamente ficar mais algumas noites inteiras acordados sem efeitos nocivos. Alguns fármacos também foram desenvolvidos para melhorar a memória. Em princípio, muitos deles parecem funcionar sem efeitos colaterais importantes.

Mas se as drogas são eficazes, por que já não estamos todos tomando estimulantes cognitivos? “Precisamos ser cuidadosos”, alerta Daniele Piomelli, da Universidade da Califórnia em Irvine. Medicamentos para nos manter acordados, por exemplo, suscitam preocupações: durante o sono ocorrem atividades psíquicas fundamentais para processos inconscientes de elaboração, que ainda não estão completamente desvendados. As conseqüências do uso freqüente desses produtos para a saúde mental a médio e longo prazo ainda são uma incógnita.

Piomelli estuda o sistema canabinóide do corpo no intuito de tornar a memória emocionalmente menos carregada nas pessoas que sofrem de stress pós-traumático. Provocar mudanças no sistema mnemônico pode ter efeitos indesejáveis, adverte. “No final, podemos acabar nos lembrando de coisas que não queremos.”

O pesquisador Gary Lynch, também da Universidade da Califórnia, expressa preocupação semelhante. Ele é o inventor das ampacinas, uma classe de drogas que muda as formas como recordações são codificadas e alerta a intensidade dos rastros de memória. Esse “lastro” é indispensável para “construirmos” novos aprendizados com base naquilo que já conhecemos. “O fármaco age somente no cérebro, tem uma meia-vida curta de horas”, alega Lynch. Foi demonstrado que as ampacinas restauram a função de macacos intensamente privados de sono que, sem o medicamento, teriam mau desempenho. Os estudos preliminares em humanos são igualmente animadores. “Em alguns anos deverá ser possível fazer com que uma pessoa idosa apresente desempehno neurológico muito mais ágil, similar ao que tinha quando mais jovem”, diz ele.

4 – TREINAMENTO PARA AUMENTAR O QI
Ao contrário do que se acreditava, capacidade inteectual pode ser aprimorada

Há duas ou três décadas ainda se acreditava que o quociente de inteligência (QI) – a medida de habilidades mentais para solução de problemas, entre as quais aptidões espaciais como memória e raciocínio verbal – era fixo e, em grande parte, determinado pela genética. Novas descobertas neuropsicológicas não deixam dúvida de que a idéia está ultrapassada. Pesquisas recentes, realizadas em diversos países, sugerem que uma função cerebral bem básica chamada memória operacional poderia estar na base da nossa inteligência geral, abrindo a intrigante possibilidade de que, se uma pessoa desenvolver essa habilidade, pode melhorar sua capacidade de encontrar soluções para os mais diferentes problemas.

A memória operacional é o sistema de armazenamento de informações de curto prazo do cérebro. Funciona como uma espécie de “bancada de trabalho” para a resolução dos problemas mentais. Por exemplo, se você calcular 98-23+2, a memória operacional armazenará as etapas intermediárias necessárias para elaborar a resposta. A quantidade de informações que poderá ser guardada está fortemente relacionada à inteligência geral.

Uma equipe chefiada pelo neurocientista Torkel Klingberg, do Instituto Karolinska de Estocolmo, Suécia, encontrou sinais de que os sistemas neurais que fundamenta a memória operacional podem “crescer” quando estimulados. Com mapeamento cerebral pelo método da ressonância magnética funcional (RMf), o grupo quantificou a atividade cerebral de adultos antes e depois de um programa de treinamento da memória operacional, que envolveu tarefas como a memorização das posições de uma série de pontos numa grade. Depois de cinco semanas de treinamento, a atividade cerebral deles tinha aumentado nas regiões associadas com esse tipo de memória. A pesquisa foi publicada na revista Nature Neuroscience.

Ao estudarem crianças que tinham completado esse tipo de exercício mental, Klimberg e seus colegas observaram melhora numa diversidade de aptidões cognitivas não relacionadas ao treinamento – e um salto nas pontuações do teste de QI de 8%, segundo artigo veiculado pelo jornal Journal of American Academy of Child and Adolescent Psychiatry. O pesquisador acredita que o treino em memória operacional poderia ser uma chave para ampliar significativamente o poder do cérebro. “A genética e o período gestacional inicial são bastante importantes, mas não podemos desprezar o fato de existir um percentual (e não sabemos qual é) que pode ser melhorado por estímulos ambientais e pelo treinamento.”

5 – MARAVILHAS DA MEMÓRIA
Técnica mnemônica propõe invenção de narrativas para fixar informações

Imagine um auditório ocupado por 600 pessoas. Cada uma diz o próprio nome a você. Uma hora depois, pedem-lhe que se recorde de todos eles. Você consegue? A maioria de nós está à altura da tarefa. Para desempenhá-la é necessário apenas um pouco de técnica e dedicação.

É possível aprender estratégias dos mnemonistas que memorizam rotineiramente séries com milhares de dígitos, poemas épicos inteiros ou listas com centenas de palavras sem relação entre elas. Quando a neurologista Eleanor Maguire, pesquisadora da University College, de Londres, estudou os oito primeiros colocados do Campeonato Mundial Anual da Memória, não encontrou nenhuma evidência de que essas pessoas tivessem QI particularmente alto ou cérebro anatomicamente diferente do da maioria da população. Mas, enquanto memorizavam, esses atletas mentais exibiram atividade em três regiões cerebrais que se tornaram ativas durante esse processo – mas não permaneciam ativas durante a realização de testes simples de memória.
A ocorrência pode estar ligada ao fato de sete deles terem usado estratégia na qual colocam os itens a serem lembrados ao longo de uma “rota visualizada”. Para recordar a seqüência de trabalho completo, por exemplo, os campeões atribuem uma identidade a cada carta, talvez um objeto ou pessoa, e, à medida que olham as lâminas, inventam uma história baseada na seqüência de interações entre esses personagens e objetos.

Os atores usam uma técnica semelhante: incorporam um significado emocional àquilo que dizem. Afinal, sempre nos lembramos melhor dos momentos altamente emotivos que daqueles com menor carga emocional. Alguns profissionais de teatro também associam palavras a movimentos , recordando significativamente melhor de falas acompanhadas de ações que daquelas proferidas quando estão estáticos, mesmo meses depois de a peça ter saído de cartaz. A psicóloga Helga Noice, da Faculdade Elmhurst de Illinois, e o ator Tony Noice descobriram esse efeito. Em um estudo, voluntários que vincularam palavras a gestos conseguiram reproduzir 38% delas depois de apenas cinco minutos, enquanto participantes de outro grupo, que apenas memorizaram, sem movimentar o corpo acertaram só 14% da lista. Os pesquisadores acreditam que ter duas representações mentais garante mais chances de relembrar o que é necessário dizer.

Segundo o professor Barry Gordon, da Universidade Johns Hopkins em Baltimore, Maryland, hábitos simples como sempre colocar as chaves do carro no mesmo lugar, fazer anotações em papel para “desocupar” a mente ou simplesmente decidir prestar atenção podem fazer uma grande diferença para a quantidade de informações que retemos. E se guardar nomes das pessoas é seu ponto fraco, por exemplo, é possível experimentar algumas associações mentais: da próxima vez que for apresentado a alguém invente uma pequena narrativa envolvendo o nome que acabou de ouvir ou associe a palavra a um personagem de um filme ou romance, criando um contexto para aquela informação.

6 – FEEDBACK POSITIVO
Parece truque, mas é neurociência: paciente controla reação fisiológica com a mente

Existe um misterioso método de controle de pensamento que pode ajudar a maioria das pessoas a estimular a própria capacidade cerebral. Ninguém sabe exatamente como funciona e é difícil descrever exatamente como fazê-lo: não é relaxamento nem técnica de concentração – mas um estado de espírito. Chama-se neurofeedback e está, lentamente, ganhando credibilidade científica.
A técnica se desenvolveu com base na terapia de biofeedback, popular nos anos 60. A proposta é apresentar uma medida em tempo real de algum aspectoaparentemente incontrolável de sua fisiologia, como freqüência cardíaca, por exemplo, e estimulando o paciente a modificá-lo. Surpreendentemente, muitos pacientes descobriram que podiam fazê-lo, embora apenas raramente conseguissem descrever como.

Mais recentemente, a técnica foi aplicada ao cérebro – especificamente à atividade de ondas cerebrais medida por um eletrencefalograma, ou EEG. As primeiras tentativas tinham como finalidade estimular o tamanho da onda alfa, que progride quando estamos calmos e concentrados. Em um dos experimentos, os pesquisadores associaram a velocidade de um carro em um jogo de computador ao tamanho da onda alfa. Pediram, então aos indivíduos que fizessem o veículo andar mais rápido usando apenas a mente. Muitos conseguiram fazê-lo e, aparentemente, ficaram mais alertas e concentrados.

A prática passou a ser adotada como terapia alternativa para o transtorno do déficit de atenção de hiperatividade (TDAH). Nos últimos anos, tem sido usada também no tratamento de epilepsia, depressão, ansiedade e na recuperação de movimentos após derrames e lesões cerebrais.
Alguns pesquisadores experimentais passaram a usar escâneres no lugar de EEGs, o que permite que os pacientes vejam e controlem a atividade de partes específicas do cérebro.

O neurocientista John Gruzelier, do Imperial College, de Londres, desenvolve pesquisas com estudantes, cirurgiões, músicos e dançarinos no intuito de descobrir se o recurso pode favorecer o desempenho desses voluntários. Na Universidade de Tübingen, da Alemanha, o pesquisador Neil Birbaumer mantém um projeto, ainda em fase inicial, para verificar se o neurofeedback ajudaria criminosos, psicopatas a controlar a impulsividade. E há indícios de que o método melhora a criatividade e o humor, intensifica orgasmos e autoconfiança. Tudo com a força do pensamento. Parece ficção, mas é neurociência.

7 – TRANSPIRAR PARA FORTALECER OS NEURÔNIOS
Esportes favorecem atividade cortical e combatem stress, depressão e ansiedade

Caminhar por meia hora três vezes por semana pode melhorar em 15% as habilidades como aprendizado, concentração e raciocínio abstrato. Os efeitos são particularmente perceptíveis em pessoas com mais de 60 anos. Idosos que caminham regularmente apresentam melhor desempenho em testes de memória que seus correspondentes sedentários. Mais ainda, ao longo de vários anos, suas pontuações em uma variedade de testes cognitivos mostram um declínio muito menor que os dos sedentários.

Estudos realizados pela bióloga Camila Ferreira-Vorkapic, pesquisadora do Laboratório de Mapeamento Cerebral e Integração Sensório-Motora do Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), comprovaram que a atividade física em efeitos ansiolíticos e antidepressivos, relacionados à diminuição da ansiedade, da depressão e do stress.Também intensifica a atividade cortical, favorecendo a atividade cognitiva em função de maior fluxo de sangue no cérebro. Segundo a bióloga, exercícios induzem a síntese de proteínas indispensáveis à produção de sinapses e à criação de novas memórias.

Mas não são apenas os adultos que obtêm benefícios. A pesquisadora Angela Balding, da Universidade de Exeter, Reino Unido, constatou que crianças com idade entre 10 e 11 anos que se exercitam três ou quatro vezes por semana têm notas médias mais altas nos exames escolares. O efeito é mais forte nos meninos e, embora Balding admita que a ligação possa não ser diretamente causal, sugere que o exercício aeróbico pode estimular a mente a obter oxigênio extra para o cérebro sedento de energia.

Existe outro motivo pelo qual o órgão adora exercício físico: a prática promove o crescimento de novas células cerebrais, a chamada neurogênese. Até recentemente, rezava a sabedoria popular que nascemos com um efetivo completo de neurônios e não produzimos novos durante toda a nossa vida. O cientista Fred Gage, do Instituto Salk de La Jolla, Califórnia, derrubou esse mito em 2000, quando mostrou que os adultos podem desenvolver novas células cerebrais. Ele argumenta que o exercício físico é uma das melhores maneiras de conseguir isso.

Em camundongos, os efeitos do exercício na construção do cérebro são maiores no hipocampo – área envolvida nos processos de aprendizado e memória. Essa região é uma das mais vulneráveis aos elevados níveis de cortisol, o hormônio do stress. Portanto, se uma pessoa se sentir exaurida, um dos maiores benefícios que pode fazer ao cérebro é exercitar-se.

Atividades mais suaves, como ioga, podem fazer maravilhas. Em 2004, pesquisadores da Universidade da Califórnia em Los Angeles publicaram os resultados de um estudo-piloto no qual examinaram a influência de diferentes posturas da ioga no humor de voluntários. Foram comparadas as curvaturas para trás, para frente e as posturas eretas. Os estudiosos concluíram que a mehor maneira de levantar o ânimo mental é curvar-se para trás.

8 – DURMA ANTES DE DECIDIR
Durante o sono, o cérebro organiza o aprendizado e resolve problemas

Economizar no sono pode causar inúmeros danos ao cérebro. Funções como capacidade de planejamento e concentração, resolução de problemas lógicos, aprendizado, memória operacional e atenção são decorrência da privação. “Uma pessoa em estado de vigília contínua por 21 horas tem aptidões equivalentes às de alguém alcoolizado a ponto de ser legalmente impedido de dirigir”, diz o professor Sean Drummond, da Universidade da Califórnia em San Diego. Segundo ele, passar duas ou três noites dormindo tarde e acordando cedo pode ter o mesmo efeito.

A boa notícia é que se uma pessoa não privada de sono cochilar por uma ou duas horas terá rendimento muito melhor que o normal em tarefas que exijam concentração – como uma prova ou um trabalho complexo. Ser capaz de manter a atenção direcionada para determinada tarefa traz benefícios para o desempenho global. “A atenção é a base da pirâmide mental”, diz Drummond. “Se você melhorá-la, tornará outros processos cognitivos mais eficientes”.

Durante o sono o cérebro processa novas memórias, fixa e afia habilidades – e até resolve problemas. A famosa história sobre o químico russo Dmitri Mendeleev (1834-1907) ter subitamente conseguido formular a tabela periódica num sonho depois de um dia inteiro lutando com o problema provavelmente é verdadeira. O sono permite que o cérebro acesse memórias e estabeleça conexões capazes de produzir lampejos de conhecimento criativo.

Digamos que um adolescente esteja empenhado em dominar um novo videogame. Em vez de praticar a noite toda, seria mais eficaz se jogasse uma ou duas horas e fosse pra cama. Enquanto a pessoa adormece, o cérebro reativa os circuitos que estavam sendo usados enquanto o jogo era aprendido e os repete, enviando novas memórias para o armazenamento de longo prazo. Ao acordar, o jogador estará mais hábil. O mesmo se aplica a aptidões como tocar piano, dirigir e até memorizar fatos e números. Até uma soneca depois do treino pode ser útil, diz o cientista Carlyle Smith, da Universidade de Trent em Peterborough, em Ontário.

9 – GENEROSIDADE E ALEGRIA
Pesquisa com freiras americanas revela que bom humor afasta sinais de senilidade

O convento da Escola de Freiras de Nossa Senhora do Monte do Bom Conselho em Mankato, Minnesota, poderia parecer um lugar fora do comum para um experimento pioneiro de ciência cerebral. Mas um estudo com suas moradoras de 75 a 107 anos talvez esteja revelando mais sobre manter o cérebro vivo e saudável do que qualquer outro até agora. Participaram da pesquisa 678 religiosas católicas recrutadas em 1991 pelo professor David Snowdon, da Universidade de Kentucky, em Lexington, especialista em doença de Alzheimer do Centro Sanders-Brown de Envelhecimento.

Fazem parte do grupo sete centenárias e muitas outras que estão no mesmo caminho. A longevidade das voluntárias pode ser atribuída em parte considerável ao seu impecável estilo de vida. Elas não bebem nem fumam, vivem tranqüilamente, exercitam a serenidade e se alimentam de maneira saudável e moderada. Ainda assim, diferenças individuais entre as freiras podem ajudar a desvendar os caminhos para obter uma mente sadia por mais tempo.

Uma pequena parte das religiosas tinha Alzheimer, mas muitas não apresentaram o menor sinal de demência ou senilidade. Entre estas estão a irmã Matthia. Ela nasceu em 1894 e manteve-se mentalmente sadia até a sua morte, durante um sono tranqüilo aos 104 anos. Alegre e produtiva, tricotava luvas para os pobres todos os dias até o fim da vida. Um exame post-mortem de seu cérebro não revelou indícios de envelhecimento excessivo. Mas em alguns outros casos notáveis, Snowdon descobriu religiosas que não aparentavam senilidade em vida e, ainda assim, tinham cérebro que parecia devastado pela demência. Como a irmã Matthia e as outras enganaram o tempo? Com a investigação que inclui uma bateria anual de testes de agilidade mental e exames médicos detalhados, foram encontrados vários denominadores comuns. Um deles é a quantidade certa da vitamina folato – o ácido fólico, considerado antidepressivo natural, presente em alimentos como laranja, espinafre e soja.

A aquisição da aptidão verbal precoce, na infância, é outro fator comum. Um dos dados que mais surpreendeu os pesquisadores, porém, foi a constatação do benefício propiciado pelo cultivo de posturas generosas – para consigo mesmo e com os outros – bem como alegria e gratidão pelo que de bom a vida oferece. Essas características foram reveladas pela análise de Snowdon, realizada com base nos ensaios autobiográficos que cada mulher escreveu quando tinha em torno dos 20 anos, época em que professou votos.

Atividades físicas, palavras cruzadas, leitura, tricô e exercícios também ajudaram a prevenir a senilidade. Para evitar a demência é fundamental manter uma boa saúde geral, pois problemas metabólicos, pequenos derrames e lesões cerebrais parecem funcionar como gatilhos da doença de Alzheimer. Durante a pesquisa, uma freira comentou: “Não pense em nenhuma maldade, não faça nenhuma maldade, não ouça nenhuma maldade; seja cuidadoso e inteiro em cada atitude. Você provavelmente nunca escreverá um best-seller – em compensação, viverá mais e talvez melhor”.

© New Scientist

OS AUTORES

Kate Douglas, Alison George, Bob Holmes, Graham Lawton, John McCrone, Alison Motluk e Helen Philip são jornalistas.

PARA CONHECER MAIS

Cérebro em forma. Camila Ferreira-Vorkapic, em Mente&Cérebro 170, págs. 74-81, março de 2007.
Reflexo revelador. David Dobbs, em Mente&Cérebro 161, págs 46-51, junho de 2006.
Guie sua mente. Ulrich Kraft, em Mente&Cérebro 153, págs. 70-77, outubro de 2005.
Melodia para os ânimos. Stéphanie Khalfa, em Mente&Cérebro 149, págs. 70-73, junho de 2005.
Mentes brilhantes. Philip. E. Ross, em Scientific American Brasil 52, págs. 60-67, setembro de 2006.
Emoção, memórias e cérebro. Joseph Ledoux, em Scientific American Brasil, edição especial nº 4, págs. 66-75.

Viver Mente Cérebro, nº 171, de abril de 2007

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