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Jogando uma luz no papel da pobreza no desenvolvimento cerebral
 

As conexões entre pobreza na infância e potencial futuro já eram conhecidas durante anos. Agora, como as conseqüências funcionais e os fatores de riscos estão sendo cada vez mais entendidos, estudos neurocientíficos mostram como a pobreza e as desigualdades podem afetar diretamente o desenvolvimento cerebral.

                                                                             Relatório de Kelly Morris.

Décadas de pesquisas citaram a pobreza como um dos principais fatores de riscos de subdesenvolvimento na infância. Testes cognitivos estão sendo cada vez mais usados em estudos de prospecção para extrair a interação complexa de fatores que medeiam esta associação. Pensa-se agora que a causa principal são os efeitos adversos no próprio desenvolvimento cerebral, e os estudos com humanos estão começando somente a medir a correlação neural conseqüentes da pobreza. Como intervenções potenciais começaram ser consideradas em testes aleatórios, amostragens de testes (TCA), peritos estão cobrando do governo e políticos para implementarem práticas baseadas nas evidencias disponíveis atualmente.

No último ano, um grupo internacional de peritos estimou que 200 milhões de crianças abaixo de cinco anos de idade nos países em desenvolvimento não estão atingindo seus potenciais educacionais e cognitivos devido à fatores tais como estresse e traumas, sub-nutrição, e ausência de oportunidades de aprendizado, diz um membro do grupo “Patrice Angle” (California Polytechnic State University, USA ).

As evidencias sugerem que em países mais ricos, não somente o rendimento familiar mas também o status social – medido coletivamente como status sócio-econômico (SSE) – está relacionado com o desenvolvimento cognitivo. “Aonde há mais desigualdades, uma proporção maior da população são desprovidas em relação aos ricos”, observa Richard Wilkinson (University of Nottingham Medical School, UK). Portanto, países mais ricos nos quais a desigualdade é alta, tais como os EUA e o Reino Unido, devem ter proporções similares ou até mesmo maiores de crianças que falham em alcançar seu potencial de desenvolvimento neural do que alguns países em desenvolvimento.

Os fatores contribuintes indubitavelmente variam de acordo com a situação, mas as últimas pesquisas clínicas confirmam o que tem sido informado durante anos em estudos com animais — que influencias estressantes adversas,  funcionando em períodos de tempo críticos do desenvolvimento cerebral, podem afetar não só o comportamento e funcionamento cognitivo mas também o desenvolvimento estrutural do CNS. Um dos fatores principais é a dieta maternal e infantil. A desnutrição está no extremo final da escala, com a deficiência nutricional também tendo um impacto considerável. O estudo longitudinal prospectivo – o Estudo Longitudinal Avon de Pais e Crianças (Avon Longitudinal Study of Parents and Children - ALSPAC) – encontrou durante a última década que muitos resultados, incluído QI verbal, acuidade visual estérea, controle motor, comunicação, e pontuação no desenvolvimento social são reduzidos em crianças cujas mães comeram as mais baixas quantidades de gorduras originárias de peixes durante a gravidez. Sem surpresa nenhuma, uma baixa ingestão de gordura originária de peixes também está interligada com a desvantagem social, mesmo que a amamentação também seja um fator que gere confusão. Os pesquisadores da ALSPAC planejam dar continuidade deste trabalho com as crianças na medida em que cresçam.

Uma explicação para esta descoberta deve ser a disponibilidade do ácido docosaexaenóico (DHA) e outros ácidos graxos essenciais (EFAs) Omega-3 – vitais nos blocos de construção do cérebro encontrados em gorduras originárias de peixes e no leite materno que não eram constituintes dos ingredientes alimentar durante o período estudado pelos pesquisadores da ALSPAC. Os EFAs Omega-3 engendram funções neurais melhor do que outros EFAs o fazem, os quais podem fazer o cérebro em desenvolvimento menos resiliente ao estresse. Entretanto, Pauline Emmett, nutricionista chefe da ALSPAC (Universidade de Bristol, RU), destaca que “a conexão entre pobreza e dieta não é direta” e é, em parte, mediado pela educação parental. Pais bem educados tendem a seguir todas as orientações durante a gravidez, e estes no aleitamento materno, ela observa, e a educação parental também afetam o desenvolvimento pós-natal. Tomas Paus (Universidade de Nottingham, RU) observa que fumar durante a gravidez está fortemente conexo com baixa SES, e com os efeitos cognitivos e comportamentais em crianças. Mas o efeito de fumar na fase pré-natal no cérebro humano era muito desconhecido até o último ano. Em estudos de MRI em adolescentes selecionados por educação escolar e maternal, Paus descobriu que a exposição pré-natal ao fumo estava associado com o afinamento cortical em várias áreas, mas apenas mudanças sutis. Em um estudo totalmente controlado, o fumo pré-natal “não deve ter um efeito maior na cognição”, diz Paus. Ele complementa que “o efeito da substituição da nicotina no cérebro em desenvolvimento é desconhecido”, e advoga o alvo da cessação de fumar como parte de um pacote muito mais amplo de medida de saúde maternal. Charles Nelson (Escola Médica de Harvard, EUA) sugere que o desenvolvimento cerebral é influenciado não somente pela genética e experiências exclusivas a um único indivíduo, mas também por experiências "esperadas" comuns a uma espécie – tal como o acesso leve padronizado ou um cuidador – portanto a privação de experiências esperadas pode ter impacto substancial. No mundo inteiro, as crianças mais afetadas desta forma são aquelas em instituições, as quais são retiradas de um ambiente típico. Nelson e outros descobriram que a institucionalização tem conseqüências adversas profundas no desenvolvimento cognitivo e atividade cerebral EEG, entretanto, é ele é uma prática comum na criação de crianças, em particular em condições de pobreza, guerras, e epidemias de AIDS. Crianças em situações menos adversas também mostram mudanças no cérebro – relações de comportamento. Clyde Hertzman (Universidade da Columbia Britânica, Canadá) e colegas recentemente relataram estudos EEG demonstrando que crianças com SES baixo alcançam processos neurais suplementares e diferentes comparados com aqueles com SES alto para alcançarem a mesma precisão em tarefas que demandam atenção auditiva. Kimberly Noble (Universidade Columbia, EUA) relatou um relacionamento mais complexo entre a consciência fonológica, habilidade de leitura, e atividade cerebral. Consciência fonológica é um mediador importante dos efeitos de SES nas funções cognitivas, e podem compensar pelo efeito adverso em SES baixo na leitura. Mas o trabalho funcional de MRI mostrou que o SES modifica a relação entre habilidades fonológicas e atividade cerebral durante a leitura. As crianças com SES baixo têm modelos de ativação cerebrais bastante diferentes dependendo do seu nível de consciência fonológica, ao passo que essas diferenças na atividade são atenuadas em crianças com alto SES. Essas descobertas podem ser explicadas pela influência da consciência fonológica na arregimentação diferencial de regiões cerebrais da leitura. Mas os fatores sociais, cognitivo e neurobiológico parecem estar entrelaçados. “é minha crença pessoal que um dos maiores fatores que aqui medeiam pode estar na enorme disparidade da exposição às atividades de leitura através de SES, em particular antes da entrar na escola”, diz Nobre. A recuperação cognitiva pode ocorrer com a intervenção? A resposta parece depender do tempo certo. “A pobreza tem sempre um impacto na vida de uma criança, mas os poucos primeiros anos são um período de determinada vulnerabilidade e de determinada oportunidade”, diz Engle. Ela observa que a intervenção reconhecida como bem sucedida é baseada em volta dos primeiros programas de aprendizagem, mas estratégias estão sendo desenvolvidas para trabalhar através de centros primários de serviço de saúde, envolvendo situações do alto risco, inclusive HIV/AIDS e emergências, e pela ajuda financeira, como empréstimos condicionais. Nelson e colegas muito otimistas informaram recentemente terem descoberto sobre o potencial da recuperação cognitiva nas crianças mais carentes. As crianças institucionalizadas foram selecionadas aleatoriamente para permanecerem em uma instituição ou serem criadas como parte de um novo projeto de adoção, de alta qualidade. As crianças adotadas demonstraram melhora cognitiva e maior atividade EEG cortical do que aquelas que permaneceram institucionalizadas. “Sabemos que há períodos sensíveis na aquisição de diferentes capacidades e em facetas diferentes do desenvolvimento cerebral [portanto] o reverso também deve ser verdadeiro... deve haver um período sensível correspondente no qual se tem de intervir”, diz Nelson. Os dados da prova de QI sugerem que colocação de crianças com menos de 24 meses produz um resultado melhor, embora para linguagem este ponto fosse mais próximo aos 16 meses, e para colocação 20–22 meses. A intervenção dietética eficaz ainda está sob estudo, mas alguns peritos acreditam que há evidência suficiente em como começar a intervenção. O projeto da fundação União Européia NutriMENTHE (Universidade da Granada, Espanha) está planejando estudar os efeitos de longo prazo da dieta pré-natal e imediata pós-natal no desempenho cognitivo e comportamental, em conjunto com RCTs de nutrimentos específicos introduzidos durante a gravidez, a fase de colo, e a infância. Contudo, apesar de um questionamento do parlamento britânica no tópico e um objetivo governamental de acompanhar a pobreza na infância, Michael Crawford (Fundação Mãe e Filho, Reino Unido) está preocupado que, concentrando-se nas crianças mais velhas na idade escolar o estão fazendo demasiado tarde, porque o neuro-desenvolvimento durante a gravidez é o período mais crítico para um futuro desenvolvimento. Em 1972, Crawford predisse que as mudanças na dieta, especialmente o consumo de diferentes EFAs, que afetaria particularmente os em desvantagem, levariam a uma elevação nas desordens cerebrais, que está sendo constatado agora. Ele também acha bom que as evidências científicas em dieta e saúde maternal sejam aplicadas agora, com uma nova iniciativa que começa com mulheres quando elas entram na sua fase reprodutiva e alcançam a cooperação interdepartamental na educação, saúde, produção alimentar, e investigações posteriores. “A nossa impressão”, diz Wilkinson, “é que sociedades com maior desigualdade envolvam mais competição por status e menos reciprocidade na maior parte do caminho ascendente”. Isto poderia explicar por que os países mais ricos têm maiores problemas com desordens sociais e comportamentais do que alguns mais pobres. Deste modo, Paus está otimista com pesquisas futuras para identificar os fatores transformantes que possam promover comportamentos positivos ou "pro - sociais", alguns dos quais também possam associar-se com desvantagens. Mas todos os peritos concordam que a pesquisa provou agora a importância do neurodesenvolvimento nas condições de vida fetal e vida neonatal. De acordo com um relatório no último ano do Centro para Criança em Desenvolvimento da Universidade de Harvard, pela primeira vez, “pesquisadores agora estão habilitados a apresentar uma estrutura unificada” para guiar os fazedores de políticas trabalharem para melhorar a saúde maternal e infantil, ambientes familiares, aprendizado e oportunidade para as crianças que agora estão baseadas nas últimas pesquisas.

Kelly Morris

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