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Com vocês, os oligossacarídeos (Revista SAÚDE é vital!)
 

Essa palavrinha díficil define substâncias essenciais que começam a sair do anonimato para ganhar fama no mais que saudável mundo dos alimentos funcionais.

Cebola, chicória, alho, aspargo, alcachofra, banana, trigo, soja, mel, yacon e até uma musse de chocolate desenvolvida por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) - o que todos esses alimentos têm em comum? Oligossacarídeos. Se o nome assusta ou remete às longíquas aulas de Química, fique sabendo que essas substâncias são verdadeiras guardiãs da saúde.

Nessa família de carboidratos - sim, eles são açúcares também - estão os frutooligossacarídeos (FOS) e a inulina. Humm, a dupla com apelidos esquisitos também causou estranheza? Para ir se familiarizando com eles, passe a examinar o rótulo de leite em pó, margarinas, adoçantes e sorvetes light. Essas expressões aparecem ali, ainda de forma discreta, mas os especialistas garantem que em alguns anos se tornarão figurinhas fáceis em produtos industrializados. "Os oligossacarídeos atuam como fibras no organismo sem alterar o sabor e a textura dos alimentos", conta a farmacêutica bioquímica Tullia Filisetti, justificando essa aposta. Ela, junto com a engenheira de alimentos Ester Yoshie, criou a musse da USP. O doce foi feito à base de FOS extraídos do yacon, uma prima da batata. "A aparência, o gosto, a consistência e o aroma foram aprovados por 30 voluntários que participaram da degustação", festeja Ester.

Muito mais do que manter o intestino em ordem, as tais moléculas diminuem o risco de tumores, auxiliam no controle do colesterol e ajudam a prevenir o diabete. Para completar a lista de atributos, um estudo em andamento, também na USP, mostra melhora na absorção de cálcio, ou seja, os oligossacarídeos são capazes de combater a osteoporose. Por tudo isso, resolvemos apresentá-los a você e esperamos que tenha muito prazer em conhecê-los.

Toda explicação para a eficácia dos oligossacarídeos está no intestino. Lá moram milhões e milhões de microorganismos do bem, como as bifidobactérias e os lactobacilos. E é fundamental que esse exército seja sempre assim, numeroso, para que tipinhos como a E. coli - bactéria responsável por uma série de doenças - sumam do mapa. "À proliferação dos micróbios benéficos damos a designação de ação prebiótica", explica a nutricionista Martine Hagen, coordenadora do curso de Nutrição da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Para promover essa multiplicação, um segredo é consumir alimentos que contenham os frutooligossacarídeos (FOS) e a inulina - como os que enfeitam estas páginas.

Os oligossacarídeos conseguem a proeza de passar incólumes pelas enzimas lançadas no processo digestivo. Chegam quase intactos à região do intestino grosso, onde são fermentados, em outra prova de resistência. O resultado dessa maratona é a formação de ácidos graxos de cadeia curta. "Um deles, o butírico, é capaz de inibir a formação de células cancerosas na região", conta a professora Tullia Filisetti, da USP. Outros ácidos, como o láctico, o acético e o propiônico, diminuem o risco de infecções e dão uma força ao próprio intestino. "Quanto mais rápido o trânsito intestinal, menor a exposição da mucosa desse órgão a agentes danosos", diz o nutrólogo Juliano Alves Pereira, de Belo Horizonte, em Minas Gerais.

Durante a fermentação dos oligossacarídeos ocorre outra proeza: o pH se altera e isso interfere em alguns nutrientes, como o cálcio, que se torna mais solúvel e, assim, é absorvido com maior eficácia. Os primeiros resultados de uma pesquisa da USP, coordenada pela professora Tullia, mostrou o seguinte: cobaias que recebiam FOS melhoravam os níveis do mineral nos ossos. Um outro trabalho, vindo da Universidade Católica de Louvain, na Bélgica, também passou a apostar nesse efeito depois que cientistas notaram um bom fortalecimento no esqueleto dos animais de laboratório.

Diabetes e infarto passam longe

Os oligossacarídeos regulam os níveis de glicose porque não são quebrados com facilidade. Assim, o açúcar proveniente da sua digestão demora mais tempo para ficar disponível para as células, sendo descarregado na circulação aos poucos. Desse modo, a insulina - hormônio fundamental para que a glicose seja usada como combustível celular - não é requisitada a todo instante, o que poupa o pâncreas de trabalho extra e afasta o perigo do diabete.

"Há ainda pesquisas mostrando a diminuição do colesterol ruim e dos níveis de triglicerídeos, outro tipo de gordura nociva", acrescenta o nutrólogo Celso Cukier, do Instituto de Metabolismo e Nutrição Humana de Auvergne, na França, aponta os FOS como grandes responsáveis pelas baixas dessas moléculas gordurosas.

Quer outro benefício? Comemore: os oligossacarídeos podem substituir o açúcar por causa do sabor adocicado. Na Universidade Estadual de Campinas, no interior paulista, até já está em estudo um projeto para a extração da inulina da chicória. "Cada grama da substância soma apenas 1,5 caloria", diz a engenheira agrícola Juliana Tófano. Leva, portanto, grande vantagem sobre a sacarose, que tem 4 calorias por grama.

Por Regina Pereira

FONTE: Revista SAÚDE é vital! Edição nº 244 / Janeiro de 2004 

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