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Potenciais Benefícios da Linhaça na Saúde e na Doença – Uma Perspectiva
 
ARTIGO DE REVISÃO                                                                              67
O texto original se encontra em inglês. Os autores do mesmo não têm qualquer responsabilidade sobre os erros que esta tradução possa conter.
Potenciais Benefícios da Linhaça na Saúde e
na Doença – Uma Perspectiva

Basavaraj MADHUSUDHAN (    )
Sumário
A linhaça é conhecida desde a Idade da Pedra. Originando na Mesopotâmia, tem uma longa história de uso na Índia e foi um alimento comumente usado antes da Segunda Guerra Mundial. O cultivo e a popularidade da linhaça declinaram depois da queda de Roma e foram gradualmente esquecidos até a década de 1990. Óleo de linhaça, precursores de lignana e sua mucilagem têm muitos usos potenciais na prevenção ou tratamento de doenças como nutracêutico (droga). Devido à alta quantidade de benefícios à saúde, a linhaça na dieta é uma estratégia valiosa para limitar muitas doenças de estilo de vida, incluindo tumores hormônio-dependentes, aterogênese induzida por colesterol, bem como anormalidades no vasorrelaxamento dependente do endotélio. Como esta perspicaz redescoberta mostra, o entendimento nutricional corrente provê uma excelente oportunidade para reintroduzir este importante alimento no mundo.

 

Palavras-chave
Linhaça, culturas esquecidas, benefícios à saúde, potencial moderno
Nutraceuticals Research Group, Department  of Studies and Research in Biochemistry and
Food Technology, P.G. Centre, Kuvempu University, Davangere – 577 002, India e-mail: basavaraj_madhu@hotmail.com
Received: July 30, 2008 | Accepted: January 10, 2009
AGRADECIMENTOS
Agradeço ao Dr. John A. Milner, Ph.D., Chief, Nutritional Science Research Group, National Cancer Institute, Rockville, MD 20892, USA, pelas sugestões úteis. Sou grato ao Prof. B.S. Sher- igara, Vice-Chancellor, Kuvempu University, pelo apoio e encorajamento.

Introdução


A dieta moderna Ocidental tem se beneficiado de grãos e óleos de sementes de outras partes do mundo (Paoletti et al., 1992). Os Norte-Americanos têm uma dívida de gratidão com o resto do mundo por possuir os centros de origem de muitos alimentos. De todas as culturas crescidas nos EUA, 98% são baseadas em espécies originadas além das fronteiras dos Estados Unidos. Aproximadamente 150 plantas são comidas regularmente, mas mais de 90% da comida do mundo é provida por apenas 15 espécies de planta. Três alimentos vegetais – arroz, milho e trigo produzem quase 2/3 desta quantidade. Com 5,5 bilhões de pessoas atualmente no mundo, e uma população esperada de nove bilhões de pessoas nos próximos 40 anos, os agricultores estão recorrendo a outros alimentos para diminuir a nossa dependência de arroz, milho e trigo. Uma forma de aumentar o suprimento de comida é produzir culturas que já foram abundantes, mas já não são cultivadas. Agricultores e bioquímicos nutricionistas estão redescobrindo culturas esquecidas. Não deve ser muito mais fácil para uma cultura antiga fazer seu retorno do que para uma celebridade de cinema esquecida. Eles sabem que levou um século para os americanos aceitarem a soja e dois séculos para os europeus aceitarem a batata. Algumas dessas chamadas “culturas esquecidas” estão voltando. Para citar alguns, grãos, incluindo amaranto, quinoa, linhaça e alguns vegetais e frutas como a banana e a batata doce. Cientístas agrícolas que estão tentando restaurar alimentos antigos à dieta do mundo estão, no entanto, determinados a isso. A linhaça pertence à família Linaceae. Este nome veio da prática de fazer roupa de linho fino dos caules da planta. Linhaça (Linum usitatissimim L.) é uma planta que produz tanto fibra, quanto uma semente dura, de casca marrom, oleaginosa, conhecida pelos seus benefícios nutricionais. A planta cresce em toda parte do mundo, exceto nos trópicos e no ártico, dá uma flor bonita, azul, de cinco pétalas. A linhaça é conhecida por ser a melhor fonte da natureza de oléos ômega-3, e de lignanas. Cientistas da American National Cancer Istitute escolheram a linhaça como uma das seis fontes nutracêuticas que mereciam um estudo especial (Messina et al., 1994; Basch et al., 2007). Há números de estudos indicando o papel da linhaça crua e seus produtos assados na promoção da saúde e prevenção de doenças (Thompson, 1994; Westcott and Muir, 1996). Ele tem sido cultivado em algumas partes do mundo, particularmente no Canadá (35%), Argentina (21,8%), China (18,9%), Índia (13,8%) e nos Estados Unidos (11,3%). Tem sido usado na dieta humana por milhares de anos. Quando nós traçamos a longa e fascinante história do uso da linhaça, ela revela a história científica da planta e seu potencial moderno (Basch et al., 2007).
História da Linhaça
A maioria das pessoas não imagina que a linhaça era, dos nativos da Índia, uma cultura de alimento básica. Mesmo hoje, no sul da Índia, a linhaça está sendo parcialmente consumida em níveis menores como chetnim de linhaça e como material cru para medicinas (Faseehuddin and Madhusudhan, 2007a; 2007b). Chetnim de linhaça pode ser armazenado por meses como reserva de comida e valorizado como uma fonte de componentes nutricionais, energia e ingredientes alimentares em longas viagens. No passado, a linhaça era cultivada pela sua semente oleaginosa e pela sua fibra (Calhoun and Kirschner, 1983). Roupas de tecido de linho foram encontradas em tumbas do Antigo Egito, enquanto sacerdotes do Velho Testamento usavam roupas feitas de linho. A linhaça foi um alimento comumente usado antes da Segunda Guerra Mundial e foi esquecida, até o seu retorno nos anos 90. Estudos revelam que ele não é apenas um alimento nutritivo, mas também tem benefícios terapêuticos, tanto preventivos quanto curativos (Hall et al., 2006). Registros mostram que ele foi cultivado desde o início da civilização, e pessoas em todo o mundo têm celebrado sua utilidade ao longo dos tempos. Foi documentado que no sul da Mesopotâmia (5200 – 4000 a.C.), era usada irrigação para cultivar linho. De acordo com a história, babilônios cultivavam a linhaça em 3000 a.C. e suas câmaras de sepultamento descrevem a cultura do linho e roupas de fibras de linho. Hipócrates escreveu sobre o uso da linhaça para o alívio do desconforto intestinal (650 a.C.) e Teofrasto recomendou o uso da mucilagem da linhaça como um remédio para tosse (na mesma era). No início do primeiro século (d.C.), Tácito elogiou as virtudes do linho. Foi registrado que a linhaça era tão importante para a saúde dos súditos de Carlos Magno (o rei do século VIII), que ele aprovou leis e regulamentos regendo seu consumo. Depois, no século XV d.C., Hildegard Von Bigen usou farinha de linhaça em compressas quentes para doenças. Desde os tempos antigos, ele tem sido uma cultura usada em muitos aspectos da vida cotidiana para Gregos, Romanos e Egípcios.


Composição da linhaça
Pesquisas nutricionais atuais continuam a identificar várias substâncias terapêuticas na linhaça. Os principais componentes nutricionais da linhaça incluem óleo, fibras viscosas ricas em lignana (mucilagem), proteína e minerais, analisados pela American Oil Chemists Society (ACOS), mostrados na Tabela 1. Uma porção de 100 g de linhaça provê 1.890 kJ e 450 kcal de energia e contém aproximadamente 41% de óleo (base seca), 20% de proteína (N % x 6,25), 8% de umidade, 4% de cinzas e 27% de fibra dietética total. A linhaça tem naturalmente pouca gordura saturada e provê uma quantidade moderada de ácidos graxos monossaturados (Tabela 1). Aproximadamente 73% dos ácidos graxos na linhaça é poliinsaturado. Ele contém menor quantidade de ácido linoleico (LA), um ácido graxo ômega-6. Por causa da sua alta quantidade de ácido alfa-linolênico, a linhaça tem uma razão de ácido graxo ômega-3/ômega-6 de 1:0,3. Quando o perfil de ãcidos graxos da linhaça é comparado com outras fontes importantes, como milho, soja, óleo de peixe ou algas marinhas, obtêm-se evidências de que a linhaça é superior em ácidos graxos n-3 (57%). A linhaça é uma fonte excepcionalmente rica de secoisolariciresinol diglucosídeo (SDG), presente em níveis de 75 – 800 vezes maiores que em quaisquer outras culturas e vegetais conhecidos até agora (Westcott and Muir, 1996; Thompson et al., 1997). A linhaça também fornece fibra e mucilagem que promovem um funcionamento intestinal saudável. A linhaça contém em torno de 400 g/kg de fibra total da dieta rica em pentosanas e a fração de casca contém 2-7% de mucilagem (Axelson et al., 1982).

 


                                            Tabela 1. Composição da Linhaça (g %, d.b.)

 

 

Gordura total                                                                   41.0
Ácidos graxos saturados                                                      9.0
 Ácidos graxos monoinsaturados                                        18.0
                                          Ácidos graxos poliinsaturados
Ômega – 3’s                                                                57.0
Ômega – 6’s                                                               16.0
Fibra total da dieta                                                             27.0
Mucilagem                                                           24.0
Fibra insolúvel                                                             76.0
Proteína                                                                   20.0
Umidade                                                                   8.0
Mineral                                                                     4.0
Potássio                                                               0.74
Magnésio
0.38

 
Cálcio
0.21
Enxofre                                                                0.21                                 
Sódio                                                                   0.05
Cloro                                                                    0.40
Ferro                                                                    0.01
      Zinco                                                                    0.06
Metais residuais incluem Manganês, Silicone, Flúor, Cloro, Níquel, Cobalto, Iodo, Molibdênio e Cromo (g %, d.b).


A linhaça é uma fonte de proteína de boa qualidade. Como em outras sementes oleaginosas, albuminas e globulinas são as proteínas de armazenamento da linhaça. Globulinas são as principais proteínas de armazenamento da linhaça, formando em torno de 58-66% do total de proteína da semente (Chung et al., 2005). Proteína constitui em torno de 20g/100g do peso seco da linhaça. O trabalho mais publicado sobre proteínas da linhaça apareceu em um artigo de revisão (Oomah and Mazza, 1993). A linhaça não constitui uma proteína completa, porque alguns dos aminoácidos que formam uma proteína completa estão disponíveis apenas em quantidades insignificantes. Quando a linhaça é combinada com laticínios, uma proteína completa é formada. O alto teor de proteína vegetal é de interesse, especialmente desde que foi sugerido que proteínas vegetais reduzem os níveis de colesterol sérico. Os estudos que melhor mostram o efeito das proteínas vegetais foram comparados com proteína de soja. O perfil de aminoácido e a proteína da linhaça se assemelham aos da farinha de soja. O efeito da proteína da linhaça continua a ser documentado. A proteína da linhaça é considerada um atributo de qualidade secundária (Petit et al., 2005). Linhaça também contém vitaminas e minerais essenciais. A linhaça contém uma variedade de vitaminas e minerais: vitaminas A, B1, B2, C, D, E, potássio, fósforo, magnésio, cálcio, enxofre, sódio, cloro, ferro e zinco. É particularmente rica em potássio, provendo menores quantidades de magnésio, ferro, cobre e zinco (nutritiondata.com/facts-C00001-01c20p1.html; waltonfeed.com/ omega/flax.html)
Usos práticos na linhaça
Hoje, consumidores no ocidente estão aderindo à linhaça e sua farinha, que são cada vez mais usadas em pães, cereais, e produtos de panificação para proporcionar um sabor agradável de noz e aumentar os benefícios à saúde do produto final. O consumo da linhaça pode ser particularmente importante para vegetarianos, que não obtêm ômega-3 comendo peixe.
Recentemente, ovos dietéticos ou ovos de designer estão ganhando importância. Em ovos dietéticos, concentrações maiores de ácidos graxos poliinsaturados (AGPI), principalmente AGPI n-3 tornaram-se foco de pesquisadores e produtores de ovos desde que consumidores estão crescentemente interessados na qualidade relacionada à saúde dos componentes dos alimentos funcionais (Trebunová et al., 2007). Scheidler e Forning (1996) descobriram que a semente de linhaça, inteira e moída, em níveis dietéticos de 5, 10 ou 15% influenciava o consumo de ração, ganho de peso e pesos de ovos em comparação com o milho, soja ou dietas de controle de óleo de peixe. A fim de equilibrar o teor de ácidos graxos essenciais da dieta humana, semente de linhaça se tornou a mais confiável fonte de ômega-3 (57%) e ômega-6 (16%), ácidos graxos essenciais (Tabela 1).


Nutrição em ação – Benefícios à saúde da Linhaça
A ciência recente aponta para uma influência positiva em tudo,
desde níveis de colesterol até defecação e, finalmente, uma influência no risco de câncer e doenças do coração (Dahl et al., 2005). A crescente preocupação de que o teor de ácido linoéico da dieta ocidental típica é muito alto levou alguns especialistas a recomendar a substituição da dieta de ácidos graxos ômega-6 pelos das famílias do ômega-3. Recentemente, consumidores americanos desenvolveram um interesse real nas propriedades de promoção da saúde da linhaça e seu óleo. Idealmente, o corpo humano precisa de um equilíbrio dos ácidos graxos essenciais ômega-3 e ômega-6, mas a dieta ocidental moderna é geralmente deficiente em ômega-3. A dieta tradicional das populações inuítas é rica em vitamina C e com grande quantidade dos ácidos graxos ômega-3, o que os torna bem adaptados para viver na região ártica. Os inuítas são um grupo culturalmente similar a de povos indígenas (esquimós) que habitam as regiões árticas do Canadá, Groenlândia, Rússia e Alasca. O grupo inuíta consome uma dieta de alimentos que são caçados, pescados e colhidos localmente e comidos crus. Esta população tem uma fisiologia altamente desenvolvida e um metabolismo rápido para lidar com o frio. Sua dieta ártica contém gordura corporal otimemente distribuída para se adequar ao sistema circulatório. Estas dietas são ricas, tanto nos ácidos graxos ômega-3, quanto nos ômega-6, que são elementos estruturais em todas as células do organismo. Está bem documentado que, quanto mais ômega-6 na circulação sistêmica, mais forte é a tendência das plaquetas do sangue de coagular. Isto constitui a base para a trombose, seguida pela artereosclerose, em certa medida. Na dieta dos ocidentais, a relação do ácido graxo ômega-6 para o ácido graxo ômega-3 chegaria a 50:1 (ou seja, 50 quilos de carne para cada quilo de peixe), mas a relação na dieta inuíta foi estimada entre 1:1 e 1:2,5.
Desde 1850, o consumo de ômega-3 diminuiu para 1/6 do nível tradicional, resultando em uma relação de ômega-3 para ômega-6 de 1:20 (dietas de óleo poliinsaturado contemporâneas) associada a doenças degenerativas. Como a linhaça é a fonte mais rica de ômega-3, ela rapidamente reabastece uma deficiência de ômega-3 de longo tempo. Exclusão de longo termo ou uso excessivo de linhaça pode resultar em deficiência de ômega-6 depois de uns dois anos, porque linhaça é uma fonte rica de ômega-3, pobre de ômega-6. Se uma pessoa tem câncer, doença inflamatória, ou precisa perder peso, ômega-3 deve ser favorecido, e de preferência, um equilíbrio poderia ser mantido entre 2:1 e 3:1 na relação ômega-3 para ômga-6.

Mecanismos associados com a saúde do coração, sistema auto-imune e câncer
O ácido alfa-linolênico (ALA), um ácido graxo omega-3 mostrou ter efeitos benéficos na saúde do coração e sistema auto-imune (Bloedon and Szapary, 2004). Ácidos graxos ômega-3 mostraram regular transcrição e expressão gênica, alterando, assim, a síntese de enzima e modificando muitos fatores de risco para doenças coronárias, incluindo a redução de triglicerídeos e da pressão arterial (Chen et al.,




 2007; Waldschläger et al., 2005; Dupasquier et al., 2007). Eles também protegem contra trombose e certos tipos de câncer e modificam reações imune e inflamatória. Ômega-3 é necessário para manter a estrutura das membranas celulares e a permeabilidade da pele como precursores de eicosanóides tais como postaglandinas, tromboxanos, e no transporte de colesterol e metabolismo. Ácidos graxos essenciais são necessários para o funcionamento apropriado do cérebro, pele, sistema nervoso e órgãos sexuais, incluindo prevenção de doenças renais (Clark et al., 2001; Ogborn et al., 2003; Ogborn et al., 2006). Eles também ajudam a controlar a pressão alta. A linhaça é única em sua alta quantidade de ácido graxo ômega-3 (Kronberg et al., 2006).



Lignanas são uma classe de compostos difenólicos, geralmente contendo uma estrutura de esqueleto de dibenzilbutano. Os principais componentes de lignana glicosilada identificados na linhaça têm recebido, ultimamente, estudo particularmente cuidadoso. Sobre o consumo da linhaça, os precursors de lignana (secoisolariciresinol ou matairesinol) são essencialmente convertidos nas lignanas chamadas enterodiol (ED) e enterolactona (EL) pela microflora fecal. Sabe-se que estes dois principais precursores da enterolactona ocorrem como glicosídeos em plantas (Borriello, 1985). Com exceção destes glicosídeos cianogênicos como os principais compostos antinutricionais, a linhaça contém quantidade significativa de fitoestrogênios que são compostos estrogênicos biologicamente ativos conhecidos por influenciar o metabolismo de hormônios, enzimas intracelulares, síntese de proteína, fatores de crescimento, proliferação de células malignas e angiogênese (Branca and Lorenzetti, 2005). Geralmente, legumes têm concentração relativamente alta de isoflavonas, mas a linhaça tem quantidade excepcionalmente alta de lignanas, que se acredita proteger conra cânceres hormônio-sensíveis, pela inibição de certas enzimas envolvidas no metabolismo de hormônios, reduzindo a disponibilidade de estrogênio e interferindo no crescimento de células tumorais (Westcott and Muir,

 1996; Thompson et al., 1997). Populações com alto consumo de lignanas tendem a ter taxas mais baixas de cânceres hormônio-dependente tais como câncer de mama e de próstata. Há evidência crescente, significativa de propriedades de prevenção de câncer e encolhimento de tumores destas lignanas de mamíferos (Dwivedi et al., 2005).
Há aproximadamente dois mil anos, reconheceu-se que plantas continham substâncias com potencial estrogênico que eram capazes de influenciar a hereditariedade. Entretanto, não foi até os últimos cinqüenta anos que a evidência científica acumulada liga a dieta com compostos tendo atividade
estrogênica, e isto foi destacado por muitos exemplos bem-documentados da forma que a dieta de fitoestrogênios pode influenciar a fisiologia reprodutiva dos animais humanos, e está evidente, a partir de estudos recentes, que a terapia de linhaça na dieta diminui as ondas de calor nas mulheres (Pruthi et al., 2007). Enquanto os estrogênios dos mamíferos, estrona e estradiol, mostraram ocorrer somente em algumas plantas, as principais classes de estrogênios vegetais são lignanas, isoflavonas, coumestrans e lactonas resorcíclicas. A única característica marcante da estrutura química de todos estes compostos é a presença do anel fenólico, que é uma molécula essencial para a ligação com a proteína receptora de estrogênio. Conseqüentemente, descobriu-se que todos eles têm fraca atividade estrogênica e fraca atividade anti-estrogênica (Power et al., 2006). É evidente que suplementação dietética de linhaça resultou em níveis de lignana no plasma tão altos quanto 500 mg/ml, que é 10.000 vezes maior que os níveis circulantes normais de estrogênios esteróides (endógeno). Apesar das lignanas da linhaça serem mais fracas que os estrogênios esteroidais indígenas, a concentração muito mais alta alcançada com o consumo de linhaça poderia exercer efeitos como de hormônio em humanos (Bommareddy et al., 2007). Em mulheres pré-menopáusicas, uma alimentação de semente de linhaça durante três meses alongou a fase lútea por três ciclos menstruais, indicando efeito antiestrogênico. Além de suas fracas propriedades estrogênica/antiestrogênica, lignanas, em geral, também apresentaram atividade antioxidante, atividade antiangiogênica, atividade antimitótica e efeitos citotóxicos em câncer de mama humano não-estrogênio-dependente e linhagens de células leucêmicas promielocítica. Alimentação de linhaça tem mostrado opor-se ao fator de ativação plaquetária (PAF), reduzindo a capacidade de agregação das plaquetas. Atualmente, a linhaça está sendo estudada para determinar seus benefícios terapêuticos para malária, infecções virais, fúngicas e bacteriais, diabetes e doenças degenerativas como câncer e doença cardíaca (McManus et al., 1996; Allen et al., 1998; Kitts et al., 1999; Picur et al., 2006; Rajesha et al.,


 2006; Penumathsa et al., 2007).


Estudos populacionais de dieta e risco de doença sugerem que a linhaça contém quantidades saudáveis de fibras que promovem o funcionamento saudável do intestino, tanto solúveis/mucilagem, quanto insolúveis. A fibra solúvel mucilaginosa é uma substância espessa e pegajosa e tem sido usada no controle da hiperglicemia e humanos. A natureza laxante da linhaça vem do seu conteúdo de pentosanas e matéria mucilaginosa (Axelson et al., 1982; Chung et al., 2005; Oomah and Mazza, 1993; inter alia). Dois terços da fibra da linhaça é insolúvel, consistindo de celulose e lignina O restante é uma fibra solúvel que ajuda a reduzir os níveis de colesterol sérico e regular os níveis de glicose no sangue. A linhaça foi fracionada através de um procedimento que combina moagem, peneiramento e aspiração para produzir fração rica em casca superior em lignanas e fibras dietéticas, e, assim, oferecer um ingrediente de preço acessível para a formulação de alimentos ricos em lignana (Madhusudhan et al., 2000). Como qualquer outra fibra solúvel, mucilagem de linhaça não é exceção de que as fibras solúveis são agentes de redução de colesterol eficazes, e tem habilidade potencial de combate aos cânceres de reto e cólon (Alabaster et al., 1996; Donaldson, 2004). Estudos epidemiológicos mostram que pessoas que vivem na Ásia, África e Europa Oriental têm menores taxas de certos tipos de câncer, particularmente cânceres hormônio-dependentes, do que pessoas que vivem em países ocidentais (Gonzalez, 2006). A taxa menor de câncer deles pode ser devido, em parte, à sua dieta rica em fibras, que ajuda a diminuir os níveis de lipídio, glicose e alguns hormônios no sangue. A dieta pobre em fibras, rica em gordura, típica das populações ocidentais, tende a aumentar os níveis de estrogênio no sangue, que pode contribuir no desenvolvimento do câncer, estimulando o crescimento das células tumorais. Por causa disso, populações norte-americanas estão sendo aconselhadas a consumir mais alimentos ricos em fibras, visto que alimentos ricos em fibras parecem oferecer proteção contra certos tipos de câncer (Gonzalez and Riboli, 2006).
Conclusão
Explica-se que as linhaças são mais que um carboidrato e uma fonte de óleo, mas também um fator chave na dieta, devido aos muitos fatores de proteção, como lignana na semente inteira. Pesquisa recente sugere que regime alimentar desempenha um papel importante na prevenção de doenças crônicas. O resultado das conclusões das pesquisas foi que há grandes benefícios em comer sementes inteiras que pode ser devido a nutrientes e fitoquímicos que trabalham juntos para proteger a saúde. Em adição ao consumo da semente inteira, que foi provado que previne certas doenças in vivo, há vários estudos epidemiológicos evidências históricas que sugerem que a linhaça desempenhou papéis importantes na prevenção de doenças. Apesar da quantidade de evidências demonstrando os benefícios à saúde da linhaça, muitos consumidores são incapazes de incorporar o grão à dieta. A população deveria ser encorajada a comer linhaça e seus produtos, que mostram uma grande promessa na prevenção de certas doenças de modo a aumentar a qualidade nutricional dos alimentos consumidos e, assim, melhorar o estado nutricional. Isto seria uma estratégia efetiva para reduzir males de saúde direta ou indiretamente de nutrição e dar aos consumidores acesso a fazer escolhas saudáveis para prevenir certas doenças. Além de ser uma excelente semente oleaginosa, a linhaça pode ser usada em comida, cuidados com a saúde, com a pele e outros produtos relacionados à saúde.
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